Interlúdio para lembrar –
A casa da família era típica das construções goianas. De adobe rústico, piso no saibro, banco de champrão de madeira na cozinha, tralhas dependuradas nas traves da sala, com curral de tábuas, bica passando no quintal e paiol ao lado. A casa ficava a uns dois mil metros do riozinho Calvo e a uns quinze quilômetros das cidades de Silvânia e Vianópolis. À frente, o fundo vale de onde escorria o rego até à porta. O parto foi assistido pela prima Mariinha (Maria Abadia dos Santos), jovem sem nenhuma experiência para lidar com o nascimento de uma criança, pois não houve tempo para João Miguel Bento, seu pai, chegar com a parteira. Era 19 de setembro de 1952, com uma manhã ensolarada de ensaio para a primavera. Houve saudação da chegada de Salomão Sousa com tiros de espingarda.
Mariinha e Geraldo Brasil, seu marido, viriam
a acolhê-lo quando se transferiu para Brasília. Residiam em Taguatinga Sul,
numa rua esburacada pelas enxurradas onde ficava a casa de tábuas, com água de
cisterna.
A alfabetização iniciada em casa pelo
andarilho José Ribeiro da Silva continuou numa turma de estudantes formada na
fazenda do tio Pedro Miguel e no grupo rural da fazenda do José Arnaldo, no
município de Vianópolis (GO). Mudou com a família para Silvânia em 16 agosto de
1964. Nessa cidade, concluiu o primário no grupo Moisés Santana e cursou todo o
ginasial no Ginásio Anchieta.
Começou o contato com a literatura na zona
rural através de folhetos de cordel guardados a sete chaves pelo avô numa
canastra entre as roupas de cama e os vestidos da avó Cândida, que eram
verdadeiros sacos. Além dessa experiência mais evidente, a cultura popular
continuou a alimentar seu imaginário através de raras parlendas, advinhas,
repetitivas litanias religiosas, a música caipira, e as quadras realizadas de
improviso em meio à plantação do quintal. O andarilho Agenor, que fazia poucas
visitas à casa de seus pais e de seus avós, desafiava-o para esse jogo. Findos
os momentos de disputa poética, esse andarilho ia se divertir sobre pernas de
pau ou montar engrenagens hidráulicas idênticas aos moinhos medievais. Agenor
foi um dos muitos talentos desperdiçados pelo País.
Na zona rural, nada mais existia para leitura
além dos livretos de cordel, a não ser um ou outro almanaque e as descartadas
folhas da folhinha Coração de Jesus. Mesmo que Salomão Sousa quisesse escrever,
não havia disponibilidade de material. Chegou a recortar nalgum tronco de
árvore as iniciais do próprio nome. Era mais fácil trocar berros, rosnados e
chiados com animais do que alguma expressão cultural da Civilização. Na
ausência de brinquedos, revirava pedras, troncos podres e folhas mortas para
localizar insetos. Aprisionava-os na bacia que servia tanto para lavar roupas
como para banhos e manipular produtos alimentícios. Lacraias, besouros,
joaninhas, diversos espécimes de baratas, minhocas, percevejos, escorpiões,
aranhas…
O avô materno, Sansão Fernandes de Sousa, foi
quem mais o influenciou na infância. Ao contrário dos demais familiares, era
alfabetizado. Hábil artesão para trabalhar a madeira, o couro, as embiras, as
tabocas e o buriti, o que o tornava um homem sereno, pacato e paciente. Com
ele, naquele silêncio concentrado, desenvolveu a prática silenciosa de observar
e ouvir os interlocutores e a ser paciente, apresentando, raramente, respostas
abruptas a diálogos agressivos. Por mais que seja desastrado na lida com o trabalho
manual, não se livrou de ter de lavrar um amassador de feijão em cerne de
vinhático, que a mãe usaria até o amarelo da madeira ficar escurecido pela
fumaça do fogão a lenha.
Em Silvânia, o acesso a material de cultura e
a interação humana se ampliariam. Apesar de ser isolada, a cidade era a Atenas
de Goiás, com biblioteca, que tem até os dias atuais um acervo invejável. Na
época, tinha três escolas, sendo uma para o ensino primário, que ia até a 4ª
série, e duas para o ginasial, que ia até a 8ª; além de um cinema com muitos
lugares, que acompanhava a programação nacional e servia para eventos e
apresentações teatrais. Foi farto o contato com livros, revistas, filmes e
jornais. Publicou o primeiro poema aos
dezesseis anos num jornal fundado na cidade por outro andarilho. O poema é um
protesto contra a derrubada da praça histórica para erguer uma moderna, com
fonte luminosa. A água colorida, interminável, em ondas ao som da Jovem Guarda.
Salomão Sousa ficava circulando sobre o piso de paralelepípedos, rodeado pela
multidão de jovens, imaginando que a sua vida não podia circunscrever-se àquela
praça.
Com Luiz Alberto Tavares, atravessava noites
debatendo filmes, as questões relacionadas à Ditadura e à Guerra do Vietnã e,
claro, as incertezas do futuro. O seu pai não acreditava que o homem pisou na
lua. O Luiz Alberto morreu insistindo para que Salomão Sousa não o
contradissesse, pois o pai podia estar com razão.
O melhor espetáculo que assistiu na vida
desenrolava nas horas em que acompanhava o pai nas visitas ao amigo Jeroni.
Aquele trabalho de mecânico inseria em seu conhecimento a primeira experiência
desligada da natureza. Aqueles motores desossados entre as bananeiras do
quintal.
Transferiu-se para Brasília em 6 de janeiro
de 1971 com sua experiência de enxadeiro, candieiro, entregador de marmitas,
balconista, porteiro e bibliotecário. Fez o Científico no Colégio de Taguatinga
Sul (DF), onde teve como professores o poeta Anito José Steinbach e Dad
Squarisi, e deixou implantada a primeira biblioteca dessa escola. Formou-se em
Jornalismo pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), período em que
fez o Curso de Pesquisa de Campo (1974), que, por sua indicação, teve a coleta
de dados toda captada em Silvânia. O trabalho final do curso resultou na
publicação de um livro. Teve como professores os escritores Almeida Fischer,
Esaú de Carvalho, Zita de Andrade Lima, Aluísio Valle e Luiz Beltrão, que o
estimularam a frequentar a Associação Nacional de Escritores (ANE) desde os
tempos de estudante. A professora Zita foi sua amiga até 2004, ano em que
faleceu.
Fez estágio de jornalismo no extinto Correio
do Planalto, monitorado na redação pelos jornalistas Archibaldo Figueira,
Rachid Rachid e Mário Eugênio. Archibaldo Figueira seria um de seus grandes
amigos. Com Archibaldo, Antônio Beluco e Marlan Rocha, todos falecidos,
permaneceria infindáveis momentos no cafezinho da Câmara dos Deputados na
companhia do jornalista Orlando Tejo, autor do livro Zé Limeira, o poeta do
absurdo.
Ingressou no serviço público em 1973,
inicialmente na Fundação Educacional do Distrito Federal (exerceu atividades no
setor central de pessoal, em zeladoria e em secretaria de escolas). A partir de
1977, no Ministério da Fazenda (esteve cedido por alguns períodos para os
Ministérios do Bem-Estar Social e do Trabalho e Emprego). Nunca exerceria o
jornalismo, pois, em razão de ser lotado na área parlamentar do Ministério da
Fazenda, especializou-se no acompanhamento das atividades do Parlamento sem ter
curso ligado às Ciências Políticas. Aposentou-se pelo Ministério da Economia em
1º de junho de 2021.
Nos primeiros anos de atividade no Ministério
da Fazenda, teve início a amizade com Ronaldo Peixoto Alexandre e Wil Prado,
com os quais frequenta lançamentos, encontros de escritores, ouve os
lançamentos da Música Popular Brasileira com o ímpeto do protesto contra a
Ditadura. Esses laços de amizade nunca se romperiam, e continuam a render
entrelaces de cultura e de laços familiares.
O seu primeiro chefe (Dr. Gilberto), na
Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Fazenda, instalou-o na sua
própria sala de trabalho. Só no futuro entenderia que essa decisão visava
vigiá-lo e orientá-lo, protetoramente, para não ser atingido por algum ato de
represália da Ditadura por sua atuação literária. Esse chefe foi um dos seus
grandes mentores, não só de incentivo à literatura, mas de conhecimento da
história do Brasil, sobretudo do período da Era Vargas.
Nos corredores do Congresso Nacional, era
frequente o contato com algum escritor em visita a Brasília. Foi o caso de
Lygia Fagundes Telles, que ele encontrou perdida nos corredores e ela encontrou
nele o guia para localizar as pessoas que estava a procura. Pela segunda vez,
os dois passaram uma tarde juntos. A primeira foi num simpósio de escritores em
Caxambu, oportunidade em que ela pediu para ele ficar ao seu lado durante uma
sessão de autógrafos. Saiu envaidecido desse evento, pois Lygia Fagundes Teles
e Selmo Vasconcelos lhe disseram que ele era muito inteligente.
Nesse simpósio de Caxambu, Salomão Sousa
ouviu uma palestra de Adélia Prado e passaram a tarde conversando com
escritores e estudantes. Lamenta que lhe tenha sido roubado o gravador em que
se encontravam os depoimentos do encontro. Restam os registros fotográficos.
A resenha que Salomão Sousa escreveu sobre o
livro Bagagem, de Adélia Prado, publicada no Suplemento de Minas Gerais,
foi citada na tese A invenção de um modo: movimentos líricos na poesia de
Adélia Prado, de Silvana Athayde Pinheiro, na Universidade Federal do
Espírito Santo, dentro do programa de pós-graduação, em 2019. Outras teses e
trabalhos escolares citam seus artigos, sobretudo no ano de 2013, quando o
livro Poesia, de José Godoy Garcia, com introdução de sua autoria, foi
indicado para o vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Na década de 1970, participou, lateralmente,
do movimento Poesia Marginal com Esbarros. Ao enviar um exemplar desse
livreto a Jorge Amado, assim ele autografou no livro em que acusou o
recebimento: Salomão Sousa, um poeta de primeira ordem — original e humano,
sensível e consciente. Poesia que não é cera, é chama. Ao longo de sua
carreira literária, vem publicando artigos, resenhas e poesias em revistas
(sobretudo das instituições a que pertence), jornais, zines e páginas da web.
Mantém os blogs Safraquebra, Literatura Goiana, Salomão Sousa. Procura
manter-se conectado com aqueles que dão vivacidade à literatura do país.
Como não há local conveniente para encaixar
alguns tópicos das memórias, ficam aqui deslocados como os livretos de cordel
na canastra. Primeiramente, o registro do encontro de Salomão Sousa, Renato
Matos e Gustavo Dourado numa feira de livro de Brasília com o poeta Manoel de
Barros. Puderam desfrutar a tarde toda de sua companhia, pois, além dos três,
não compareceu vivalma ao lançamento! E também o caso das noites em que Salomão
Sousa e Wil Prado ficaram à mesa com Jorge Amado. Esses fatos podem ser fakes.
As fotos com Manoel de Barros existem, mas podem muito bem ter sido manipulação
do IA; no entanto, o IA ainda não conseguiu reunir Salomão Sousa e Wil Prado
num registro com Jorge Amado, Wander Piroli, João Antônio ou Ignácio Loyola
Brandão.
Existir! Passar um dia à beira da piscina, sob a monguba, saudando o sol em companhia de Yêda Schmaltz! (mas se estendesse a mão,/tocaria, de novo, sua face). Pequenas interrupções nos interlúdios de não fazer nada para Yêda ir ao computador concluir algum retrato para a exposição das cem principais personalidades goianas. Retornar a Goiânia para a exposição das cem obras de Yêda Schmaltz e voltar para casa com o próprio retrato onde aparece ladeado por uma florida touceira de copos de leite.
Existir! O
poeta José Godoy Garcia visitá-lo às vésperas da Páscoa, embebedar-se com rum
e, enquanto o bacalhau é preparado, amassar os ovos de páscoa que aguardam o
dia seguinte sobre a mesa. Almoçar e dormir no sofá. Acordar horas depois,
perguntar quando o almoço será servido e ninguém conseguir convencê-lo de que
já almoçou. Senta-se à mesa e serve-se uma segunda vez, fartamente. Existir! O
poeta Cassiano Nunes repousar na rede da sua sala depois de ler o pequeno zine Chuço,
que exigia receber cada número que circulava.
Existir!
Invadir as casas de Herondes Cézar, de Brasigóis Felício ou de Nilto Maciel e a
conversa fluir enquanto as crianças brincam de esconde-esconde atrás dos
armários e debaixo das camas. Bate na porta e entra o irmão Goiamérico Felício.
Ninguém se preocupa se alguém escarafuncha as narinas.
Existir!
Invadir a biblioteca de Miguel Jorge e, com Tagore Biram, vararem a noite
dançando inúmeros vezes o Bolero, de Ravel! Cara a cara no quadrilátero afundado no
centro da biblioteca como se vivessem milenarmente na tumba de Tutancâmon. Há
dúvidas se o poeta Pio Vargas participava dessas invasões, mas fica aqui
dançante para animar essas memórias. Tagore Biram desapareceria, pelos Andes
chilenos, em seu eterno delírio etílico-poético, deixando perdida por lá a urna
de cristal com seus últimos poemas.
Existir!
Visitar Oswaldino Marques em Taguatinga e na Asa Norte e ficarem sós com quatro
enormes caixas de som (uma em cada canto da sala) e ouvirem nos últimos
decibéis existentes A sagração da Primavera, de Stravinsky. Os livros
tinham sido deslocados para uma estante que atravessava toda extensão da
cozinha. Foi a única vez que Salomão Sousa sentiu o exército de Napoleão
avançar sobre ele.
Existir!
Decidir não retornar ao trabalho para passar a tarde no gabinete de trabalho do
Antonio Miranda, diretor da Biblioteca Nacional de Brasília. Assistir a reunião
que ele promoveu com os funcionários. Antonio Miranda interpretou um texto para
esclarecer as formas de atuar para alcançar resultados positivos no trabalho.
Cada funcionário e também Salomão Sousa merecia certificado de participação
dessa reunião.
Existir!
Invadir a casa do poeta Esmerino Magalhães Jr. para revisar o novo livro e o
trabalho se prolongar por dias, pois ele quer que as visitas sejam apenas para
jogar conversa fora. Ouvir o elogio do Esmerino depois de ele ler o poema sobre
o cavalo obrigado a trabalhar no asfalto da cidade: “Não faça poemas assim,
senão fica difícil pra gente escrever!”. Toda vez que terminava a revisão de um
poema, pegava o violão e entoava a canção “Barroquinha”, de sua autoria.
Existir
também é desconhecimento. Nunca saber qual poema de sua autoria foi trabalhado
numa escola da comunidade do Rio de Janeiro, no Dia da Poesia, junto com um
poema de Carlos Drummond de Andrade. Um aluno, numa escola de Cametá, à beira
do rio Amazonas, sentar-se num stand para representá-lo numa feira de
Literatura. Existir!
Existir!
Visitar o cemitério de Taguatinga de madrugada com estudantes da escola onde
trabalhava — Chico Simões, do grupo Mamulengo Presepada, entre eles —
para coletar impressões in loco e fazer uma matéria para o jornal da
universidade. A deputada Manuela D´Avila lhe confessar que, após o expediente,
descansa no gabinete lendo seus poemas, aos prantos — ela que não conseguiu
visitar Mário Benedetti antes que ele viesse a falecer. O poeta também se
descontrai como uma rês quieta no campo só balançando o rabo para espantar as
moscas!
Existir!
Deslocar-se de casa aos sábados para passar as tardes na livraria Literatura,
que José Salles Neto mantinha num shopping do Plano Piloto. Auxiliava no
atendimento da livraria pelo prazer de conversar com os clientes e saber que
alguém estaria em casa lendo um livro indicado por ele. Quase sempre A
crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso. Esmerino Magalhães Jr. e Wil
Prado eram companhias certas. Dessa época, guarda o poema O corvo, de
Edgar Alan Poe, na tradução de Machado de Assis, que o Salles lhe presenteou. O
poema está datilografado pelo próprio Salles em papel A3 e guardado num tubo
desses de armazenar plantas de arquitetura. O Salles só não foi com Salomão
Sousa ao cemitério de madrugada porque ainda não se conheciam à época da visita.
Existir! Ir
ao supermercado comprar frutas e uma dama, de semblante tecido de olhares
resplandecentes, desejar-lhe bom dia. Retribuir a saudação e afastar-se
sentindo o dia mais encorpado de certezas. Depois notar que a dama ia
cumprimentando todos que cruzavam por seu caminho. Não era a mesma dama que
saudou várias vezes Salomão Sousa e o irmão José Aparecido de Sousa em outro
supermercado. Essa outra mulher talvez tivesse esquecido de trocar de roupa
quando saira de casa. Ou, simplesmente, decidira deixar o mundo mais exposto à
alegria. Quando se abaixava e se elevava para arrumar as compras no carrinho, o
baby doll a cobria e a descobria. A sociedade deveria designar algumas
pessoas para se postarem nas ruas e nas praças só para cumprimentar todos que
transitam. Um mover de mão, de um lenço, gestos quase despercebidos pelo
rastrear dos olhos — e os dias se purificam de toda rudeza! Ninguém iria mais
se preocupar com o ruído do ar condicionado, se há deserto ou o ódio armado do
inimigo.
Existir!
Você estar em casa almoçando e um astrólogo entrar porta adentro para ler seu
mapa astral. Saiu de Goiânia (GO) até a Ceilândia (DF) para conferir se Salomão
Sousa era realmente a pessoa de alto astral que ele sentiu ao ler um seu
artigo. Diante de toda a família, saca o mapa astral e faz a leitura plena de
vaticínios animadores. Existir! Você transitar pela Via W3 e uma estudante lhe
botar a mão no peito, interrompendo o seu percurso, e recitar um poema de sua
autoria. O astrólogo e a garota partiram, num relâmpago, sem deixarem cartão de
visita. Poderiam os três, nesse momento, estarem no mesmo palco num recital
eterno de boas previsões. Ou visitando uma das dezenas de luas de Saturno.
Existir! A
Francisca reclamar: Você não tem família? Não vai contar que começamos em
quartinhos de fundos, e que amamos sobre as areias do rio Corumbá com o gado
bufando em nossas orelhas de madrugada? Se não contar, vai ter de tirar os
livros das cadeiras e da escada!
Poucos fatos se assemelham a eventos
assombrosos de uma narrativa de Edgar Alan Poe e ficam agourando sobre a porta
como o corvo do poema. Um ou outro indivíduo não deve entrar para a
história quando deixa de compreender que a liberdade não pode ser retirada de
nenhuma ambiência, seja da ambiência da literatura ou da vida privada e social.
Em certo
aniversário da poeta Yolanda Jordão, Salomão Sousa foi parar na festa arrastado
por um convidado. Ao entrar na sala, Antonio Carlos Osório, que já tentara
impedi-lo de ler um poema de José Godoy Garcia num sarau, valeu-se de seu modo
peculiar de agredir com expressões inconvenientes: Chegou o tártaro
indesejado. A expressão contém a intolerância de todo aquele que deseja
erguer muros e becos em torno de si para viver atrás de uma barreira por julgar
que o universo está sob seu domínio. São as personalidades inconvenientes.
Exigem dos outros aquilo que elas mesmo não praticam. Depois de impressas ou
ditas, as expressões entram na memória, tornam-se lendas e não mais se
extinguem. Antônio Carlos Osório chegou a censurar a publicação de um poema de
Salomão Sousa na Revista da Academia Brasiliense de Letras por não
concordar com um verso de conotação sexual.
As figuras
bizarras julgam com maledicência que os outros serão sempre tártaros — preferem
mencionar civilizações perdidas para se desobrigarem do acolhimento. São
personalidades doentes, que enxergam e exigem dos outros aquilo que negam em si
mesmas, e muito menos praticam. Ao contrário da perdida civilização tártara,
Salomão Sousa teima em existir, visivelmente, sem desaparecimento.
Entram as bisnetas na sala
e trazem um bode.
O poeta dá saltos e berros
para brincar como pode.
Com a experiência do zine Chuço, que
manteve nos anos 1990, Salomão Sousa passou a refletir sobre as mudanças das
relações humanas e dos meios de comunicação em razão do avanço da tecnologia e
do crescimento do uso das redes sociais. Em carta ao amigo Herondes Cézar de
Siqueira, em 1992, antecipa discussões que passariam a ocupar o dia a dia dos
cientistas sociais:
Não sei quando
escrevi a última carta. Também isso não me apavora nem me entristece. É a
contingência de um mundo que traiu o homem pela eletrônica. Só me entristeço ao
sentir a ameaça à memória. Num futuro já em vivência, será muito difícil
reconstruir a história individual e até mesmo a história de um povo. Vivemos
sem registro, ou então de forma fragmentada. E, no instante da montagem,
faltarão várias peças. As decisões, os sentimentos, terão passado por fios,
células. O homem cada vez mais se escondendo nas facilidades da comunicação.
(…) É uma maré que nos integrou em suas ondas, e não permite ao menos
vislumbrar uma praia, uma enseada, em que possamos ficar esquecidos ao menos
como destroço. A via é sinuosa, onde, cambaleantes, bambos, vamos de forma
definitiva. (…) Precisamos continuar com nossa ternura, mas sem rostos,
integrados na massa fria, para não permitir a derrocada maior.
Basta ver a previsão de que o universo da
divulgação e discussão da literatura deixariam de passar pelas cartas e pelas
colunas dos jornais, mas não poderia entender que parte dessa questão migraria
para o ambiente virtual, pois as redes sociais só surgiriam depois de décadas.
No mesmo período, em outra carta, improvisou um poema que repassa paisagens da
infância e as intercala às paisagens da época. Um trecho desse poema inédito,
que exalta a paz com que conduz a própria vida:
Está tudo ordenado. Tudo na mais santa claridade.
Quanto sol na goiabeira acentuando a poeira fina sobre as folhas!
Estou imerso numa ausência de tudo,
numa sensação de que nada perdi, apenas temporariamente
sem encontrar um terreiro, assim como na fazenda do Zequinha,
cheinho de gabiroba e gravatás.
Não há lembrança maior do que de uma touça de gravatás,
com suas flores vermelhas, suas bagas quase doces.
Há desesperos que funcionam como vidro
– assustam-se ao menor clamor, partindo-se
ao menor toque. Todo movimento retesado
não suporta o peso de um corpo.
Onde estarão as quadras que fiz aos nove anos?
Haverá um depósito delas num paraíso de Dante?
Mereceu breve carta do poeta Carlos Drummond
de Andrade na oportunidade da publicação de A moenda dos dias, de 1979,
seu primeiro livro. Receberia outros dois cartões do poeta itabirano. Na carta,
de 23.8.1980, Drummond menciona o poema Ladainha da cidade dura, que
trata da Ceilândia (cidade satélite do Distrito Federal onde Salomão Sousa
residia à época em que o escreveu dentro dos ônibus no percurso de volta do
trabalho para casa). Merece melhor estudo para identificar se o poema de
Salomão Sousa serviu de gênese para a elaboração da parte 19 (Confronto) do
poema Favelário nacional, inserido no livro Corpo (1984), no qual
Drummond também confronta a posição da Ceilândia diante da Capital Federal.
Manteria correspondência com diversos
escritores, tais como Armindo Trevisan, Carlos Nejar, Djami Sezostre, Fábio
Lucas, Francisco de Carvalho, H. Dobal, Henriqueta Lisboa, Ilma Fontes, João
Antônio, Jorge Amado, Jorge Medauar, Leila Miccolis, Oswaldino Marques, Otávio
Afonso, Sérgio Campos, Tanussi Cardoso, Uilcon Pereira, Urhaci Faustino, Wander
Piroli.
Além de citações em artigos e cartas de
distintos autores, a obra de Salomão Sousa vem merecendo exposição em escolas e
abordagem crítica de diversos autores, aos quais reconhece a honra da distinção
de suas palavras. Certamente, a lista aparece incompleta.
Adalberto de Queiroz
Adelto Gonçalves
Aidenor Aires
Alexandra Vieira de Almeida
Alessandro Eloy Braga
Altimar Pimentel
Ana Ramiro
Anderson Braga Horta
André de Leones
Antônio da Costa Neto
Astier Basílio
Cleonice Rainho
Esmerino Magalhães Jr.
Euler Belem
Fernando Py
Geraldo Lima
Gerson Valle
Goiamérico Felício
Hildeberto Barbosa Filho
João Carlos Taveira
José Fernandes
José Godoy Garcia
José Guillermo Vargas
Kori Bolivia
Leo Barbosa
Ligia Cademartori
Lina Tâmega Peixoto
Lívio Oliveira
Marcos Fabrício Lopes da Silva
Manoel Hygino
Naomi Hoki Moniz (EUA)
Nilto Maciel
Raul Christiano Sanchez
Ricardo Alfaya
Rogério Salgado
Ronaldo Cagiano
Ronaldo Costa Fernandes
Selmo Vasconcelos
Sérgio de Castro Pinto
Sônia Elizabeth Nascimento Costa
Teresinka Pereira
Whisner Fraga
Wil Prado
Valdivino Braz
Vassil Oliveira
Zanoto
Destaques
Vencedor do
certame de recitação de poesia do Ginásio Anchieta, realizado no Cinema
Municipal de Silvânia, em 1969, com o poema A vingança, de Fagundes
Varela. Trata-se do único evento literário de que foi participante assistido
por seu pai João Miguel Bento. O prêmio foi um corte de brim azul para
confecção de uma calça. Nessa mesma época, atuou em duas peças teatrais
apresentadas para a população silvaniense também no Cinema Municipal, dirigidas
pela professora Nair e por Tadeu Tallon.
Bibliotecário
na Biblioteca Pública Municipal Coronel Pireneus de Silvânia, em 1970. Nessa
época, recebeu o primeiro elogio por seus poemas. A professora Glorinha, que
era a moça mais elegante da cidade, entrou na biblioteca com o namorado de
Goiânia, e perguntaram a ele o que estava escrevendo na máquina de
datilografia. Ao saberem que estava produzindo poesia, pediram uma para ler.
Cochicharam perto das estantes que o poema não podia ser dele, que devia ter
sido copiado de algum livro do acervo da biblioteca.
Emissão do
Certificado de Bons Antecedentes por Francisco Herculano Lobo — o Biú —,
delegado de Polícia de Silvânia (GO), em seu nome, em 4.1.1971. (Era
necessário, nos anos 1970, que, ao se transferir de cidade, o cidadão
brasileiro fosse portador desse documento para evitar possíveis dissabores com
os órgãos de repressão da Ditadura.)
Participação do
seminário promovido em 1974, pela Fundação Cultural do DF sobre “Semiologia”,
sendo debatedores os intelectuais Décio Pignatari, Mônica Rector e Guilherme
Merquior.
Curso de
“Pesquisa de Campo”, extracurricular, pelo Centro de Ensino Unificado de
Brasília, de 10.04 a 10.7.1974.
Entrevista o
escritor Bernardo Élis na oportunidade de sua controversa eleição para a
Academia Brasileira de Letras, publicada no Correio Braziliense, edição
de 15.8.1976.
Participação do
VII Simpósio de Literatura da Fundação Cultural do Distrito Federal,
Brasília-DF, de 20 a 23.4.1976. Debatedores: José Aderaldo Castello, Dirce
Cortes Riedel, Leyla Perrone Moisés e Nelly Novaes Coelho.
Participação
intrusa no Encontro Nacional de Escritores da Fundação Cultural do Distrito
Federal de 1977 para se manifestar contra o excesso de formalismo dos debates.
Participação do
Curso de atualização de Professores para a utilização do livro didático,
promovido pela Divisão de Cursos de Aperfeiçoamento, Treinamento e Extensão da
Fundação Educacional do Distrito Federal, Brasília - DF.
Inclusão de
poemas de sua autoria na peça Aos trancos e barrancos, de Esmerino
Magalhães Jr, apresentada em 1980.
Participação de
quatro ciclos de palestras da FUNARTE/UnB — 1) O olhar, em 1980; 2) Tradição
e contradição, em 1986; 3) Os sentidos da paixão, em 1987; 4) O desejo, em
1989 — perfazendo um total de mais de 80 palestras de intelectuais brasileiros.
Participação do
ciclo de palestras com Frederico Morais sobre “Criação atual”, em 1975.
Participação,
nos anos 1980, de recitais públicos em praças de Brasília contra o apartheid da
África do Sul.
Resenha
publicada na revista da Universidade de Harvard/EUA sobre A moenda dos dias,
seu primeiro livro, por Naomi Hoki Moniz (EUA), na Revista Ibero-americana,
vol. 50, de março de 1984.
Participação do
Encontro de Escritores em Goiás “Independência ou Morte?”, promovido pela União
Brasileira de Escritores (UBE), Seção de Goiás, em Goiânia, de 13 a 16.6.1985.
Debatedor da
Mesa Redonda “A Poesia Nova Brasileira: Corpo Físico Social”, abordado pelo
escritor Mário Chamie, no Encontro Nacional de Escritores da Fundação Cultural
do DF, de 5 a 9.9.1985.
Participação do
Seminário Nacional “Brasil: A cultura em questão”, em Batatais (SP), 1987.
Participação do
seminário “Falando em Leonardo”, nos dias 17 e 18.8.1987, realizado no Teatro
Nacional de Brasília, numa promoção da IBM/Museu Nacional de Belas Artes.
Palestras, entre outros, de Antonio Callado, Ferreira Gullar e Affonso Romano
de Sant”Anna.
Participação do
II Encontro Nacional de Escritores em Goiás – Centenário Cora Coralina, em
1989.
Publicação do
zine Chuço, xerocopiado em papel A4 (dezenove números entre 1995 e
1998).
Participação do
I Encontro Estadual de Escritores, realizado em Caxambu (MG), em 1996.
Debatedor do
tema “O escritor e o Editor”, apresentado pelo jornalista e escritor Ivan
Ângelo, no 2º Encontro Estadual de Escritores, São Lourenço (MG), 1997. Mais de
150 professores assistiram ao debate, que foi coordenado por Adolfo Maurício,
da AMAG (associação das prefeituras da região das Águas).
Participação da
reunião na Associação Nacional de Escritores com o poeta Pedro Tierra,
Secretário de Cultura do Distrito Federal, que exigiu “participação social” das
obras produzidas pelos escritores.
Prêmio Capital
Nacional do Ano 98 de Crítica Literária, reconhecimento Público da Resistência
ao Ordinário pela edição do zine Chuço, do jornal O Capital, de
Aracaju (SE).
Participação do
seminário “Idioma e Soberania – Nossa língua nossa Pátria”, promovido pela
Câmara dos Deputados, em 2000.
Depoimento na
Academia Piracanjubense de Letras e Artes, em Piracanjuba (GO), em 20.10.2007.
Homenageado
pelo grupo Novo Palas em evento realizado em junho de 2007, na Biblioteca
Pública Municipal Coronel Pireneus, com banners que ficaram expostos na agência
da CAIXA e correram pelas escolas públicas do Município de Silvânia. Escritores
presente ao evento: Antonio Miranda, Fábio Coutinho, Euler Belem, Robson Corrêa
de Araújo e Vassil Oliveira, que fez a apresentação do homenageado.
Artigo em
formato de diálogo em coautoria com o poeta Victor Sosa, que faleceu no México
depois de contribuir com experiências para a poesia neobarroca. Com
apresentação de Ronaldo Costa Fernandes, o artigo foi publicado no Rascunho
e na revista do PCdoB.
Homenageado do
aniversário dos dez anos do projeto Noite Cultural T-Bone, ocasião em que foi
batizada a biblioteca do ponto de ônibus da 713/14 Norte com seu nome. Evento
realizado em 28.2.2008.
Integrou o
corpo de jurados do Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade, em 2008 e
em vários outros anos.
Palestrante das
quintas literárias da Associação Nacional de Escritores com os seguintes temas:
1) O Sal que nos tempera e o Insosso que nos Vela, em 20.10.1998; 2) Recorte
sobre a poesia brasileira contemporânea, em 13.5.2003; 3) A centenária
vitalidade de Pablo Neruda, em 20.4.2004; 4) Poesia Neobarroca ou a
Pós-Vanguarda, em 10.5.2006; 5) A gênese de um poema de Joseph Brodsky,
em 16.5.2006; 6) Panorama da Poesia Goiana, em 7.8.2008; 7) Análise
da relação da Poesia com a Modernidade de Brasília, em 3.11.2009.
Entrevistado
por Antonio Miranda em canal do Youtube, em 2010. A entrevista permanece
disponível na rede.
Participação da
6ª. Feira do Livro de Bom Despacho e Cidades Vizinhas, nos dias 29 e 30.9.2011,
com debates e recitais em companhia dos escritores Jacinto Guerra, Napoleão
Valadares, Alaor Barbosa, Cláudia Coutinho Bernardes e Nilce Coutinho Guerra e
de diversos autores da localidade. Da viagem, produziu a crônica Viagem com
Guimarães Rosa a Bom Despacho, que foi publicada em Brasília e em Belo
Horizonte.
Homenageado no
trigésimo Primeiro Sarau do grupo Poemação na Biblioteca Nacional de Brasília
Leonel de Moura Brizola, em 4.12.2012.
Participação da
Quinta Literária da Associação Nacional de Escritores, de 28.10.2013, destinada
ao lançamento do livro Brasilianas, antologia de 30 poetisas. Debate com
os organizadores: José Vargas, Antonio Miranda e Salomão Sousa.
Representante
da língua portuguesa, em 2014, do VI Festival las Lenguas de América/Carlos
Montemayor, do Centro Cultural Universitário, da Universidade Nacional Autônoma
do México (UNAM). Visita às pirâmides dos maias dentro da programação do
evento.
Convidado, em
2016, do evento de Poetas José López Coronado, realizado na cidade de Chota,
região e Cajamarca, Peru, com participação de mesas de debate, saraus poéticos
e visitas a entidades culturais.
Participou de
dois eventos em homenagem ao poeta José Godoy Garcia: 1) palestrante do Tributo
ao Poeta na Biblioteca Nacional de Brasília Leonel de Moura Brizola de
Brasília, em 2008; e 2) depoimento na mesa do evento dedicado ao centenário do
poeta realizado em Jataí (GO), sua terra natal, em 2018.
Conferência no
projeto Tributo ao Poeta, da Biblioteca Nacional de Brasília, em homenagem a
Jamesson Buarque, com participação especial de Anderson Braga Horta e Margarida
Patriota, em 30.3.2017.
Participação em
Quito (Equador) do II Festival Internacional de Poesia Equinoccial, de 18 a
20.6.2017. Depoimento na Faculdade de Comunicação da Universidade Central de
Quito; leitura de poemas no tradicional Café Livro de Quito; apresentação na
Unidade Educativa Municipal “Eugenio Espejo” e na Faculdade de Filosofia da
Universidade Central; na UNASUR, ao lado do Monumento “Mitad del Mundo”, em
Quito, apresentou alguns autores da moderna Poesia Brasileira, tais como Carlos
Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Hilda Hilst, Luci Collin, Antonio Moura e
Jamesson Buarque.
Expositor na
mesa-redonda “A poesia goiana sob a perspectiva crítica”, do I Colóquio de
Poesia Goiana, na Universidade Federal de Goiás, com Antonio Miranda e Heleno
Godoy, sob moderação de Rogério Canedo.
Evento realizado nos dias 12 e 13 de junho de 2017.
Expositor do
painel “A poesia paraibana entre a formação docente e o cenário brasileiro”,
com Expedito Ferraz Jr. e mediação de Danilo Peixoto, no evento Agosto das
Letras, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa (PB). Em seguida,
acompanhou a apresentação, no mesmo palco, do poeta Sérgio de Castro Pinto.
20.8.2017.
Convidado da
edição do Coletivo realizada no Visconde Café, em homenagem ao poeta Mário
Faustino. Fez uma mini conferência e leu poemas. Brasília (DF) — 25.8.2017.
Participação do
desfile do aniversário de Silvânia, em 2017, como representante, junto com a
escritora Cida Sanches, dos escritores da cidade, como convidado da escola
Dulce Alves.
Participação do
Encontro Internacional de Poesia Ibagué em Flor, em Ibagué, Colômbia, em
fevereiro de 2018, participação de mesas de debate, saraus e visitas a
entidades culturais.
Debatedor no
Seminário “Os caminhos da Literatura do Distrito Federal”, do Sindicato de
Escritores do DF, em 9.8.2019.
Depoimento
concedido ao poeta Sérgio de Castro Pinto publicado na Revista Correio das
Artes, Ano LXX, nº 10, de dezembro de 2019, encartado no jornal A União.
de João Pessoa (PB).
O canal “A Voz
Literária — Histórias, Vivências, Livros”, de Cristiane Tolomei, apresentou
resenha pelo YouTube sobre o livro Poéticas e Andorinhas., em 21.2.21.
Debatedor em
live do canal Tome Poesia, Tome Prosa, de 21.9.2021, de Jéssica Iancoski, ao
lado de Paulo Sandrini e Vanessa Alves e mediação de Antônio Mariano.
Encenação do
poema Primeira biografia da borboleta, no canal “Do InVerso a Toda
Prosa”, de ator Antonio Cunha, disponível no YouTube.
Na terceira
edição do livro A Poesia em Goiás, de Gilberto Mendonça Teles, Goiânia :
UFG, 2019, é mencionado no novo prefácio preparado pelo autor entre os poetas
goianos que “não podem ser ignorados”, pois a primeira edição é de 1964 e não
foram feitas alterações nas edições posteriores.
Palestra na
Academia Goiana de Letras (AGL), em 30.5.2019, sobre o tema “Argumentações a
partir de Byung-Chul Han.
Participação de
mesa redonda no Museu Frei Canfaloni, na antiga Estação Ferroviária de Goiânia,
a convite da poeta Maria Abadia Silva, que moldou os eventos do museu e da AGL.
Inclusão de
material de sua autoria na Mostra Visual de Poesia Brasileira — Poesia em
Movimento — curadoria do poeta Artur Gomes, na Biblioteca Municipal de São
Francisco de Itabapoana-RJ, em 2.12.2023.
Debatedor na
live da Academia de Letras do Brasil, com Anderson Braga Horta, Marcos Freitas,
Kori Bolívia, Márcio Catunda e Flávio Kothe. Apresentou pequena introdução
sobre poesia e leu quatro poemas novos sobre o atual tempo de conflitos.
8.3.2023.
Homenageado em
25 de julho de 2023 pela Academia de Letras de Brasília (ACLEB) pela passagem
do Dia do Escritor. Foi veiculado banner nas redes sociais com seu nome ao lado
de João Almino, Nicholas Behr e de Maria de Lourdes Borges. O texto do banner
diz que “Salomão Sousa é popular pela lírica e reflexiva”.
Convidado da
live produzida pelo jornalista e poeta Antonio Carlos Queiroz para o programa
República Popular das Letras, com abordagem de três temas: a) trajetória de
vida e experiência literária; b) a importância da poesia de José Godoy Garcia)
e c) breves observações sobre a poesia de Brasília.
Expositor
convidado do ciclo de lives realizada pela poeta Noélia Ribeiro, com Reynaldo
Damazio e Iracema Ribeiro, para leitura de poemas e manifestação sobre o ato de
escritura poética. A live permanece disponível no Youtube. Em 4.4.2023.
Participação da
Maratona de Poesia, iniciativa do Sindicato dos Escritores do DF
(Sindescritores), em parceria com o Instituto Fazer o Bem e com o Museu de Arte
de Brasília, em homenagem a Anderson Braga horta. A ação contou com o apoio da
Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (SECEC). 20.5.2023.
Leitura de
poemas de sua autoria no canal Toma Aí um Poema, de Jéssica Iancoski,
disponíveis no Spotify.
Participação do
11º Mexidão Cultural do Condomínio, Asa Sul, Brasília/DF, em 2025 e em anos
anteriores, com leitura no sarau e participação nas antologias poéticas
disponibilizadas na Amazon Prime. O poeta Marcos Freitas é organizador do
evento e das antologias.
Convidado do
encontro poético, em 12.3.2025, com Antônio Moura, evento que traz apresentação
da trajetória dos poetas e leitura de poemas pelos próprios autores. O canal
Encontro Poético visa disseminar a literatura, idealizado pela poeta Chris
Resplande, em parceria com o Museu Antropológico da Universidade Federal de
Goiás.
Debatedor, com
a poeta Kamilly Barros, da live promovida pela Academia de Letras do Brasil
destinada a abordar o tema “Alteridade e consciência que ama”, em 14.3.25.
Honrarias
Núcleo
Bandeirante – honra ao mérito concedido pela Administração Regional
Silvânia –
título de Cidadão Silvaniense concedido pela Câmara Municipal
Ministério da
Fazenda – Diploma de Desempenho Funcional
Governo do
Estado de Goiás – Diploma de Destaque Cultural do Ano de 2019
UBE/GO –
Troféu Tiokô como personalidade goiana que mais se destacou fora do Estado no
biênio 2010-2011
Brasil Escola
— Por ocasião da comemoração do Dia do Poeta, em 2023, o site Brasil Escola
divulgou matéria sobre a Poesia Brasileira, com a inclusão de seu nome numa
lista de 30 “mais renomados poetas brasileiros”, com breve comentário sobre
cada um deles.
Entidades a que
pertence
Associação Nacional de Escritores
Academia de Letras do Brasil (ALB)
Academia Flor do Vale de Ipaussu
(correspondente)
Academia de Letras Artes e História de
Silvânia (ALHAS)
Academia Mundial de Letras da Humanidade
Academia Itaperunense de Letras
(correspondente)
Obras
individuais
A moenda
dos dias, ed. Coordenada, Distrito Federal, 1979.
A moenda
dos dias/O susto de viver, convênio INL/ed. Civilização Brasileira, Rio de
Janeiro, 1980.
Falo,
Thesaurus Editora, Distrito Federal, 1986.
Criação de
lodo, edição do autor, Distrito Federal, 1993.
Caderno de
desapontamentos, edição do autor, Distrito Federal, 1994.
Estoque de
relâmpagos, prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, Brasília-DF, 2002.
Ruínas ao
sol, prêmio Goyaz de Poesia, São Paulo: Ed. 7Letras, 2006.
Safra
quebrada (reunião dos livros anteriores e de dois inéditos: Gleba dos
excluídos e Marimbondo feliz), publicado com recursos do FAC,
Brasília-DF, 2007.
Momento
crítico, de textos críticos, crônicas e aforismos, Brasília: Thesaurus
Editora/FAC Fundo de Apoio à Cultura, 2008.
Vagem de
vidro, edição do autor, Brasília-DF, 2008;
Despegues
y ressonancias, plaquete de poesia, Peru, Lima: Maribelina, Casa do Poeta
Peruano, org. e apresentação de José Guillermo Vargas.
Descolagem
(poemas éditos e inéditos e algumas traduções para o espanhol), edição do
autor, Goiânia: Editora Kelps, 2016.
Desmanche
I, edição do autor, Brasília-DF, 2018.
Poética e
andorinhas (artigos), edição do autor, Brasília-DF, 2018.
Cascos e
caminhos, edição do autor, Brasília-DF. 2020.
Bifurcações
(artigos sobre literatura e de Psicologia Social), edição do autor,
Brasília-DF, 2022.
Certezas
para as madressilvas, capa com linoleogravura de Beto Nascimento, edição do
autor, Brasília-DF, 2024.
Poesia e
alteridade (artigos sobre literatura e de Psicologia Social), edição do
autor, Brasília-DF, 2024.
A selva
escura dos cristais perdidos, edição do autor, Brasília-DF, 2026.
Obras coletivas
Esbarros,
vols. 1 e 2, edições mimeografadas, com Ronaldo Peixoto Alexandre e Wil Prado,
apresentação de Ary Quintela, Brasília-DF, 1979.
Em canto
cerrado (org.), Coordenada, DF, 1979.
Conto
candango (org.), Coordenada, Brasília-DF, 1980.
Horas vagas,
org. de Joanyr de Oliveira, Senado Federal, DF, 1982.
Mutirão de
poesia, Cultura Contemporânea, Rio de Janeiro – RJ, 1983.
Mostra
visual de poesia brasileira, Centro Cultural, Campos – RJ, 1983.
Fala
satélite (em conjunto com Menezes y Morais), Núcleo Bandeirante, Brasília,
1986.
Versos e
traços, prêmio Poema Cartaz, promoção do restaurante Moinho, Brasília-DF,
1987.
Lauréis,
Vol. II, João Scotecci Editor, São Paulo, 1987.
Enciclopédia
de literatura brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa; Rio de
Janeiro: Ministério da Educação, Fundação de Assistência ao Estudante, 1990.
Antologia da
poesia brasileira, org. de Olga Savary, Fundação Rioarte, ed. Hipocanpo,
Rio de Janeiro, 1992.
Caliandra –
poesia em Brasília, org. de Alan Viggiano, André Quicé Editor, Distrito
Federal, 1995.
Via verso,
Prefeitura Municipal de Ourinhos-MG, 1995.
Catálogo da
produção poética impressa nos anos 90, editora Blocos, Rio de Janeiro,
1995.
Valores da
poesia – antologia poética, João Scorteci Editora, São Paulo-SP, 1996.
Cronistas de
Brasília, Vol. II, org. de Aglaia Souza, Thesaurus, Brasília-DF, 1996.
A poesia
goiana no século XX, org. de Assis Brasil, Fundação Cultural Pedro Ludovico
Teixeira/Editora Imago, Rio de Janeiro, 1997.
In/sacando a
poesia, org. Rogério Salgado, Belo Horizonte (MG), 1997.
Goiás, meio
século de poesia, org. de Gabriel Nascente, editora Kelps, Goiânia-GO,
1997.
Anto,
edição comemorativa dos 500 anos de descoberta do Brasil dedicada à Poesia
Brasileira, Portugal, 1998.
Poesia de
Brasília, org. de Joanyr de Oliveira, editora 7Letras, patrocinada pelo
FAC/Secretaria de Cultura do DF, 1998.
A literatura
brasiliense, de Wilson Pereira, Universa Editora, da Universidade Católica
de Brasília, 1999.
Pensamentos
da literatura brasileira, org. de Napoleão Valadares, Brasília, 2002.
Sob o signo
da poesia – Literatura em Brasília, Anderson Braga Horta, Brasília:
Thesaurus/FAC, 2003.
Geografia
poética do Distrito Federal, org. Ronaldo Alves Mousinho. Brasília:
Thesaurus Editora, 2007.
Tributo ao
poeta, vol. I, (organizador). Biblioteca Nacional de Brasília, Brasília/DF
: Thesaurus Editora, 2008.
Deste
Planalto Central – poetas de Brasília (Org.), FAC/Ed. Thesaurus/ Biblioteca
Nacional de Brasília/Câmara do Livro do Distrito Federal, 2009.
Poetas de
Brasília, oficina de Dulcinéia Catadora, Biblioteca Nacional de Brasília,
s/d (2009).
Da poética
candanga – poesia sobre poesia, de Climério Ferreira, Brasília-DF, Casa das
Musas, 2010.
Poesía en
transito, org. de Sylvya Long-Ohni, Argentina, 2010.
Fincapé
– coletivo de poetas, org. Menezes y Morais, Brasília DF: Thesaurus Editora,
2011.
A
arquitetura verbal de Nilto Maciel, org. João Carlos Taveira, IMPRECE
Editorial, Fortaleza - CE, 2012.
Poemas de
Salomão Sousa em cartões para o Natal (caixa), edição especial de Edson
Guedes de Morais, editora Guararapes EGM, Jaboatão dos Guararapes-PE, 2012.
Dicionário
de escritores de Brasília, org. de Napoleão Valadares, Brasília: André
Quicé Editor, 2012.
A fortuna
poética de João Carlos Taveira – lições de poesia, org. Alan Viggiano,
Editora Ideal Ltda., Brasília-DF, 2012.
Delirium
Tremens – tríade poética: Antonio Miranda, Zenilton Gayoso, Salomão Sousa.
Brasília, DF: Poexílio, 2014. Edição alternativa de 12 exemplares.
O amor no
terceiro milênio. Organização de Vilmar Silva. Belo Horizonte: Anome. 2015.
Sublimes
linguagens. Org. de Elizabeth
Caldeira Brito. Goiânia, GO: Kelps, ilus. 2015.
Linguagens -
Lenguagenes /Edição bilíngue Português / Espanhol. Org. Menezes y Morais;
tradução Carlos Saiz Alvarez, Maria Florencia Benítez, Lua de Moraes, Menezes y
Morais e Paulo Lima. Brasília, SD: Trampolim, 2018.
Do medieval
das beiras do rio Calvo à hipermodernidade de Brasília. Discurso de posse
na Academia de Letras do Brasil. Cadeira nº 10. Precedido pelo discurso de
recepção da acadêmica Kori Bolivia. Brasília, DF: 2019.
Poemas.
Jaboatão. PE: Editora Guararapes EGM,
2014. 58 p; ilus. col. Texto de
apresentação: João Carlos Taveira. Editor: Edson Guedes de Moraes. Edição
artesanal, tiragem limitada.
Imagens
Literárias: a realidade e o sonho. Antologia 2020 – UBE – PB: autores paraibanos e convidados. Itabuna, Bahia: Mondrongo.
Provérbios
da lama. Antologia poética. Org. Rodrigo Starling. Belo Horizonte: Starling, 2020.
Almanaque
calendário 2020 - agenda Poética. Editor: Edson Guedes de Moraes. /
Jaboatão, Pernambuco: Editora Guararapes.
Novo
Decameron. Antologia poética. Org. Rodrigo Starling, Belo Horizonte: MG;
2021.
Cinco
poemas. / Jaboatão, PE: Editora Guararapes, s.d. 30 p. ilus. Editor: Edson
Guedes de Morais.
Cena poética
8, incluindo contos. Editor: Rogério
Salgado. Belo horizonte, MG: RS Edições & Baroni Edições, 2022.
Poesia
salva, salve poesia. Org. Valter Silva. Brasília: Tagore. 2022.
Brasilidade:
poesia e crônica para una sexagenária desamada. Menezes de Moraes
(organização e micro ensaio). Edmilson de Figueiredo (fotografias). Brasília,
DF: Trampolim Editora e Eventos Culturais Eirelli, 2022.
Tempos
adversos. Celeiro Literário Brasiliense Leia-me. Brasília: Artletras. 2022.
Poemas e
poetas da Ilha da Magia. Florianópolis: Artecultura. 2022.
Contraste da
América: antologia de poesia brasileira. Organizador Djami Sezostre. São
Paulo, SP: Editora Laranja Original, 2022.
Candangoianos,
na poética brasiliense/org. de José Sóter. Brasília, DF: SEMIM, 2024.
ABH e a
metafísica de Orfeu. Textos de Márcio Catunda (org.) Danilo Gomes, Edmilson
Caminha, Flávio Kothe, Napoleão Valadares, Salomão Sousa em homenagem a
Anderson Braga Horta. Brasília: Tagore Editora, 2024.
1100
tercetos filosóficos, científicos e poéticos, org. Antonio Miranda,
poexílio, 2024.
Poetas
Brasileiros de todos os tempos e contos, antologia organizada por Wanderley
Beraldo, Clube dos Autores, 2024.
Antologia
selvagem: um bestiário da poesia brasileira contemporânea. Org.de Alexandre
Bonafim. São Paulo: Editora Cavalo Azul, 2025.
Coletivo de
Poetas — Trinta e cinco. Org. Menezes y Morais. ACE Editora, Brasília-DF,
2025







