Salomão Sousa, poeta incrível, de linguagem rara, preciosa, sem facilidades, sem comodismos. Mais uma vez usufrui o prazer de ler uma obra desse autor tão apaixonado pela poesia, a ponto de desnudá-la com carinho, competência e altruísmo. Seu verbo, embora soe cru, áspero (aos menos avisados) é de uma simbologia e força que merece todos os nossos aplausos e reconhecimentos. E digo, sem pestanejar: é um dos poetas que mais gosto de ler no meu cotidiano. Em anotação de papel colocada no inicio do livro, avulsa, Salomão já nos adverte (e isso constatamos na leitura de cada poema) que “Trata-se do meu livro mais pessoal, mais íntimo dos percursos de minha vida. Os poemas recuperam traços da memória e das observações instantâneas do que emergia à beira de minhas ocupações. O que me apodrece é o que me recupera, é o que salva a lembrança...” Penso que o poeta em evidência deve habitar bem próximo do meio ambiente, matas etc já que sempre em suas postagens refere-se aos pequenos insetos que adentram sua casa, como hospedeiros, já no fim da existência, assim como caminha fotografando tudo aquilo que é belo e pequeno na Mãe Natureza, o que passa muitas vezes desapercebido aos olhos humanos que não enxergam a essência das coisas. Ou seja, Salomão Sousa é uma espécie de Manoel de Barros nas searas de Goiás.
Sônia Elizabeth
Nota de Ricardo Alfaya
Oi, Salomão,
Chegou hoje à tarde seu Vagem de Vidro. É uma obra densa, complexa, de estrutura singular. Um livro de poesia de fato diferente. Vc realiza uma colagem de textos e imagens numa velocidade vertiginosa, explorando inúmeros efeitos surrealistas, a começar pelo título; a quebra ou mesmo eliminação da pontuação formal acarreta por vezes a sensação de estarmos diante de um hipertexto – por sinal, a influência da Internet no seu fazer literário se evidencia em vários momentos. Alguns poemas marcaram-me mais, como o que fala em Ulisses. Destaco também “E se todos nós decidíssemos pela ausência?” - Esse poema, aliás, caracteriza uma das tendências que percebi em seu estilo: a criação de uma espécie de universo à parte, totalmente feito de palavras (signos), em que tudo é possível. Algum dos seus apreciadores notou, com propriedade, a presença de um tom um tanto solene, grandioso, em seu discurso; por exemplo, no poema que começa por “A palavra definitiva”, há algo de bíblico no discurso; e aquela história de “corpo que repartes” evoca a passagem bíblica mais conhecida do antigo Salomão – só que, no seu poema, quem entra em cena é Prometeu; a parte do corpo a sacrificar não é o filho, mas o heroico fígado. Enfim, é uma poesia personalíssima, muito instigante. Difícil pretender esgotar a riqueza de seus significados e possibilidades com um único e breve comentário. Porém, fica aqui o registro, não apenas do recebimento do livro, mas também do prazer que essa primeira leitura me proporcionou. Parabéns.
Um grande abc,
Ricardo Alfaya
Resenha de Gerson Valle
O poeta Salomão Sousa é um dos marcos literários da capital federal. Sua poesia possui uma originalidade marcante. Neste ano em que se comemoram 100 anos da Semana de Arte Moderna, que quebrou os cânones do então parnasianismo, Salomão Sousa merece um exame melhor de sua obra, quando se constata a liberdade do verso encaminhá-lo ao mesmo tempo que para metáforas e outras figuras como para a narrativa ou reflexão mais encontradiças na prosa. Mas, que nele ganham a graça de uma espontaneidade que traz em si o diferencial poético numa forma em nada tradicional.
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