O CORPO DA POESIA
Caro Salomão,
há uma semana que estou
mergulhado no seu livro. Fazia tempo que não lia ensaios tão fascinantes.
Deito e acordo com ele. Demoro
pelo prazer de saborear cada página. O seu texto é precioso, suas reflexões
pertinentes, suas informações valiosíssimas. O ensaio inicial, "A
compreensão da poesia", já voltei duas vezes.
Sublinho tudo, dialogo com as
menções, anoto as citações. Uma das melhores leituras deste ano.
"Como os corpos, as palavras
se agarram, se abraçam e infiltram-se umas nas outras ao serem incorporadas à
poesia".
"Vivemos para produzir
memória, e a forma de gastá-la ou validá-la se dá ao nos aproximarmos do
terreno onírico organizado pelas palavras "
"A poesia não se satisfaz em
ser noticiário, receituário e muito menos missiva para a transmissão de
conteúdo egocêntrico ou de espavento cínico."
“Só é possível compreender a
poesia se esforçamos para nos empoderarmos com a riqueza das sensações, do
conhecimento da realidade, do domínio da memória ou se invadimos os
interstícios obscuros da linguagem. A poesia se realiza através do equilíbrio
das palavras, das sonoridades, da fuga das expressões de óbvias
definições."
"Ora a Poesia nos funde;
ora, nos confunde. Com a Poesia, fundamos o que é humano."
"Poesia e alteridade",
do poeta goiano-brasiliense Salomão
Sousa, edição do autor, Gráfica Serafim, 2024.
Nenhum comentário:
Postar um comentário